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18
Abr12

A opinião!

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20 Anos de televisão privada

São 55 anos de televisão em Portugal, sendo que os últimos 20 são acompanhados por televisões privadas, nomeadamente a SIC e posteriormente a TVI. Ao longo destes 20 anos muita coisa mudou, o consumo de tv também mudou, hoje a informação exige mais rapidez das televisões generalistas, e os programas de entretenimento têm que ser de magnitude superior com produções mais exigentes. Nestes 20 anos de televisão privada a SIC, foi a primeira. Com irreverência na informação, com audácia na apresentação de novos conteúdos de entretenimento, colocou-se em si mesma uma
fasquia muito alta, conseguindo durante, quase metade da sua existência ser líder em Portugal, quando não existiam problemas de audiências e onde o consumo de tv era, sem margem para dúvidas, muito superior aquilo que é na atualidade. Mas desengane-se quem pensa que tudo foi um “mar-de-rosas”, nestes últimos 12 anos a SIC perdeu público, logo perdeu a liderança para sua concorrente privada a TVI. Muitos dirão que a TVI é líder devido ao Big Brother que cedo lhe deu a liderança, pois as jogadas de “mestre” na aposta da ficção nacional aquando no seu pico de audiência permitiu que a TVI solidifica-se a sua liderança, a verdade é que a TVI aproveitou, e bem, o balanço do Big Brother, e a SIC que nos tinha habituado à sua irreverência e à sua audácia rapidamente passou a ser o “carro rebocado” pela TVI. As sucessivas tentativas de cópias de formatos, como o “Bar da TV”, desgastaram, e muito, a televisão de Carnaxide. Em 2007 a SIC baixava, ainda mais, de patamar sendo ultrapassada pela sua antiga rival RTP 1, passando a ficar em 3º lugar das tv’s generalistas. A informação passou a ser a menos vista, os seus programas de entretenimento, salvo algumas exceções pontuais, foram autênticos “flop’s”, e quando tudo se pensava que não iria piorar, a mudança de diretores de programas ao longo destes 20 anos, fez com que a SIC perde-se os seus principais astros, falo por exemplo de uma Catarina Furtado, de um José Alberto Carvalho, de uma Júlia Pinheiro (que entretanto regressou), um João Adelino Faria, um Daniel Oliveira (que também regressou), entre outros técnicos que não aparecem no ecrã mas que foram abandonando o barco, exatamente na altura em que SIC perdia a liderança. Mas também pode-se dizer que surgiu a oportunidade para outros vingarem na apresentação, é verdade uns com vocação e outros que não têm nenhuma, e às vezes insiste-se nesse erro. O ADN inicial da SIC já não existe e a tentativa de continuar à procura nunca irá correr bem, porque o mundo mudou e as pessoas mudaram. Quanto à atualidade não vejo uma SIC bem, penso até que a constante colagem no que a TVI faz, é do pior, o “Ídolos” foi um erro, o “Querida Júlia” continua a ser um “flop”, as novelas da SIC/TV Globo, vão suspirando algum alivio de audiência as novelas só da TV Globo, não têm sucesso, a não ser uma ou outra que se coloca no day-time, antecedendo o Jornal da Noite, a informação da SIC muitas vezes é uma feira de vaidades, promovendo, muitas vezes, e, exageradamente, os seus próprios produtos, às vezes faz-me lembrar as aberturas do Jornal Nacional, da TVI, aquando do Big Brother. “A SIC é feita por pessoas, para pessoas”, mas acho que se esquecem desse lema, muitas vezes vemos e lemos entrevistas dos seus responsáveis pensando sempre serem superiores aos concorrentes, achando-se melhor que os outros, uma directora de ficção que todos os dias fala do seu empregador parecendo, às vezes, que se arrependeu e que se fosse convidada a regressar, tenho a certeza que regressaria, a humildade, e a simplicidade das pessoas seria o ideal para mudar a ideologia da SIC.

Quanto ao futuro, não o vejo muito risonho, para todos os operadores de televisão, começando com as audiências, uma empresa que perde todos os concursos europeus de medições audiométricos, mas em Portugal, sabe-se lá porquê, ganhou, mas só por ser mais barata, sendo que nem quiseram saber do historial da empresa. Vejo um mercado publicitário esgotado, e agora com a ideia iluminada do Relvas, em alienar um canal da RTP, ou seja a abertura de mais uma privada, que será angolana, como é que a SIC, a TVI, ou mesmo o único canal aberto da RTP, terão publicidade? Dirá o Relvas, “eles que baixem as tabelas de preços”, mas agora pergunto, como é que se poderá apresentar conteúdos televisivos de relativa qualidade, sem dinheiro? Como poderemos informar bem os portugueses? Se bem que esta última, o Relvas adoraria só que tivessem meia-dúzia de pessoas na informação e que só falassem bem.

A televisão em Portugal está nas “ruas da amargura”, se bem que pode mudar, tirando certas empresas de medir audiências, desistir-se de uma alienação de um canal público, e se a economia melhorar ligeiramente num futuro próximo, aí sim! Os problemas serão mais suaves, e mais exequíveis de resolver!

 

Tiago Correia